Universo: Quais Perguntas Ainda Não Fizemos?

stephen hawking

 

“Sabe gente, é tanta coisa pra gente saber…” Gilberto Gil, Preciso Aprender A Só Ser.

 Antes do século XX a humanidade sequer questionava se o universo se expandia ou se contraía. Stephen W. Hawking, Uma Breve História do Tempo (Editora Rocco), desenha no tempo nossa visão do universo. Afinal, o que dele sabemos e como sabemos? De onde surge e para onde vai? Existe um começo? Se existe, o que tinha antes?

 Aristóteles, em 340 antes de Cristo, foi capaz de evidenciar que a Terra era uma esfera e não um corpo achatado. Mas, acreditava que a Terra era estática e que tudo girava em seu redor. A Terra seria o centro do universo. Ideia formulada por Ptolomeu no século II, dentro de um modelo cosmológico completo. Somente em 1514, Nicolau Copérnico, padre polonês, formula a teoria “de que o Sol fosse o centro estático em torno do qual a Terra e os planetas se deslocavam em órbitas circulares. Quase um século se passou antes que sua hipótese fosse considerada com seriedade” (pp. 20-21). Galileu Galilei, em 1609, faz várias observações através de telescópio e percebe “que nada precisava necessariamente girar em torno da Terra” (p. 21). E o alemão Johannes Kepler sugere “que os planetas se moviam não em círculos, mas em elipses”. Em 1687, Isaac Newton desenvolve a teoria do movimento dos corpos no espaço, fornece uma complexa matemática para analisar tais movimentos e elabora a lei da gravitação universal. “(…) cada corpo no universo é atraído por todo e qualquer outro corpo, por uma força tanto mais intensa quanto maiores forem os corpos e mais próximos estejam uns dos outros” (p. 22). Uma verdadeira revolução. Hoje pode parecer banal, porém estas descobertas revolucionaram a física, a matemática, e também o pensamento. Entretanto, a concepção do universo ainda permanecia de que ele era estático e imutável.

Em 1929, Edwin Hubble observa que as galáxias estão se afastando da nossa. “Em outras palavras, o universo está se expandindo. O que significa que em tempos remotos os objetos estariam mais próximos uns dos outros. (…) As observações de Hubble sugeriam que teria havido um tempo, chamado instante do Big Bang, em que o universo fora infinitesimalmente pequeno e infinitamente denso” (p. 27). O universo tem um tempo: 13,73 bilhões de anos. A Terra e o Sol há menos de cinco bilhões de anos (Marcelo Gleiser, Criação Imperfeita, Editora Record, p. 110). O universo tem um espaço: “(…) um setilhão de quilômetros, que é o tamanho do universo observável” (Stephen Hawking, p. 31). Não é estático. Não é imutável.

“Nossa visão moderna do universo data apenas de 1924, quando o astrônomo americano Edwin Hubble demonstrou que a nossa não era a única galáxia. Havia, de fato, muitas outras, com amplas extensões de espaço vazio entre elas. (…) Sabemos agora que a nossa é apenas uma de algumas centenas de milhares de milhões de galáxias que podem ser vistas através de modernos telescópios, cada uma contendo algumas centenas de milhares de milhões de estrelas” (p. 62-63). Somente no século passado a visão que temos do universo – formada ao longo de milênios – se transformou.

Uma Breve história do Tempo, é uma tentativa de Stephen Hawking de democratização da ciência. Ter alcance popular as questões sobre universo, tempo, espaço. O que me fica da leitura é que não há verdade absoluta. Nosso pensamento, muitas vezes, é enganado pela aparência das coisas. E que, talvez, a marca da humanidade seja esta busca incessante por respostas. Como diz Hawking, essas questões devem ser compreendidas por todos e não apenas por alguns cientistas. “Então devemos todos, filósofos, cientistas, e mesmo leigos, ser capazes de fazer parte das discussões sobre a questão de por que nós e o universo existimos” (p. 238).

Porque muitas questões ainda permanecem: pode o universo parar de se expandir? O universo se pensa? Tem consciência de si ou ele “só é”? Tem fim? Teriam outros universos? Quais perguntas ainda não fizemos?

Por enquanto, fico com Drummond: “O mundo não é o que pensamos”.

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