Cartas de longe

Ontem fiz minha caminhada ao redor do Passeio Público, fechado pelo coronavírus. Parece que ele está melhor assim: quase sem os humanos; só os trabalhadores insistindo em varrer suas folhas. As garças já retornaram.

Numa manhã de setembro que, pelo calendário ainda é inverno, já cheira primavera num dia quente e ensolarado lembrando o verão. Os ipês exuberantes com sua flores amarelas forrando o chão como um tapete. Outras flores vermelhas, lilases, rosa aqui e ali, num verde predominante.

A natureza em cores de Almodóvar. Nós, mergulhados em números astronômicos de mortes, com as cores de Schopenhauer: ” (o) maior demolidor de sonhos que passou na Terra” (Guy de Maupassant, Junto De Um Morto).

Sigo o caminho atrás de frutas e verduras. Muitas portas fechadas pela pandemia. Outras abertas persistindo num dia a dia; prédios residenciais exigindo uso de máscaras… Mas o que salta aos olhos são as placas de “aluga-se”, “passa-se o ponto”, “vende-se”, denunciando uma crise econômica também sem precedentes. Na esquina, as putas – sem máscaras – esperando velhos clientes. Sobrevivência, embora nem se saiba para quê. Garotos continuam vendendo suas balas no farol; o homem continua guardando os carros; conversas corriqueiras…

E a Praça Santos Andrade também florida com seus ipês amarelos. Praça, abrigo dos sem tetos, andarilhos, miseráveis. E os ipês imponentes, fazendo a vida explodir.

Ei vida. Esta, vai se esgueirando pelas esquinas, em qualquer fresta, passando por cima das pilhas de cadáveres, pulsando. Esta vida que não pergunta o por quê, só vai… Invisível, como o vírus.

Pensei: como o invisível tem força!

Léo

Amplidão

Hilda Hilst se pergunta: “serei eu eterna?”
A mulher que vacila, vê a resposta
O homem que chora, percebe o sopro
O garoto que avista o cosmos numa bola de gude, sorri
Versos escondidos num caderno de receitas, presumem
Carolina Maria de Jesus,
dando transparência ao seu diário encoberto, pressente
Conceição Tavares tem Hilda em si
A moça que faz do não uma bandeira de luta

Hilda ecoa em nossos corações solitários
Viu cores em cotidiano bastardo
Sentiu o poema em espíritos invisíveis
Hilda é alma

A pergunta é ociosa.

Léo

Flora

“Se vocês não gostaram das notícias que acabaram de escutar, saiam de suas casas e façam outras” citado por Eduardo Galeano. 

A grande batalha está prestes a acontecer.

Flora verifica os últimos detalhes com Índio – seu braço direito, mentor e protetor , Elias – do Conselho do Povo da Defesa Aérea e Marta, Conselho do Povo da Defesa Marítima, dentre outros conselheiros. Os informes mundiais dão ânimo ao Exército Negro, porém todos estão apreensivos: o ataque será por ar, mar e terra. Os Vermes Gigantes farão o confronto final.

No longínquo ano de 2020 o mundo foi tomado por um vírus fatal que quase dizimou a humanidade. A guerra das vacinas se alastrou como o vírus e as indústrias farmacêuticas travaram grandes batalhas. A pressa, a disputa, fez com que as fabricassem sem os devidos testes. Os países ricos foram os primeiros compradores. Os ricos os primeiros a tomarem. Foram de fato imunizados, mas uma grande mutação aconteceu: de seres humanos se transformaram em vermes gigantes. Como as doses não eram suficientes, a América Latina, África e uma parte da Ásia, praticamente ficaram de fora, da imunidade do vírus fatal e também da mutação.

O cenário que se seguiu foi devastador: crise econômica sem precedentes, mortes pelo vírus fatal e uma parte da humanidade mutante. Restava aos países pobres se unirem no combate. Enquanto os Vermes Gigantes se espalharam pelos países ricos, Haiti começou uma revolução depondo o governo. Alastrou-se pela América Latina e África. Foi criada a Confederação Socialista. Seu símbolo era um punho cerrado, resgate dos Panteras Negras.

No Brasil, o Instituto Butantã e Fundação Osvaldo Cruz, sob o controle dos trabalhadores, conseguiram  fabricar a vacina categórica contra o vírus. Os revolucionários a distribuíram gratuitamente aos habitantes da Confederação. A grande dificuldade era atingir os pobres dos países ricos, agora dominados pelos Vermes Gigantes.

A luta foi atroz. Os Vermes eram – aparentemente – invencíveis. Além de gigantes, capazes de esmagarem dezenas de uma vez só, soltavam um líquido verde paralisante. Eles se alimentavam de sangue humano e animal. Eram os novos Nosferatus. Os pobres tinham praticamente três opções: ser alimento, ser serviçal atendendo as necessidades dos Vermes ou ser da Resistência Negra, organização treinada pelo Exército Negro da Confederação socialista. Com os Vermes Gigantes a Terra seria desolada. A luta de classes adquiriu novos contornos: humanos pobres versus vermes gigantes.

Flora, Índio, Elias e Marta moravam numa comunidade pobre antes do grande desastre. Lá foram reunidos imigrantes refugiados, índios desalojados de suas terras, os sem moradias, os sem nada. Eles foram aprendendo línguas diferentes, a sabedoria dos pobres e índios, a manejarem arcos, armas; aprenderam capoeira e artes marciais. Flora, negra, filha de refugiados haitianos. Seu pai fora assassinado por policiais – prática bastante comum nos anos 20. Sua mãe foi infectada pelo vírus e faleceu. Sua família ficou sendo Índio, Elias e Marta. Quando a pandemia se concretizou a comunidade se viu abandonada pelo Estado. Organizaram-se em comitês para sua própria defesa e alimentação. Foram educados por um partido socialista e revolucionário que os ensinaram as lições da revolução russa em seus primeiros anos. Aliaram-se com o Movimento dos Sem Terra. Assim se mantiveram. Quando a revolução se alastrou, a comunidade a liderou no Brasil. Tomaram bancos, as fábricas, os hospitais. Os trabalhadores, os pobres, começaram a gerirem tudo. Tomaram a história em suas mãos. Internacionalistas, foram cruciais na expansão da revolução. Fizeram um chamado e construíram a Confederação Socialista, o Exército Negro e a Resistência.

A grande questão era como matar os Vermes Gigantes. Exterminá-los. Tentaram muitas hipóteses: tiro, punhal de prata, bala de prata, raios do sol, banho de lua, sangue envenenado… Nada. Nada os matavam. Foram os franceses da Resistência quem finalmente descobriram a arma fatal: decepar a cabeça. A luta entre os humanos e os Vermes Gigantes se travou em todos os continentes. A Terra era um imenso campo de guerra. Os Vermes Gigantes também se organizaram num exército. 

Antes da batalha final, Flora verifica os detalhes. Ela, Elias e Marta ainda tem tempo para uma grande trepada. E transam como se o mundo fosse acabar. De todas as formas. Beijos, carícias, mãos, línguas, tudo a serviço do gozo. Prazer. Orgasmo. Estão prontos!

A grande batalha se aproxima.

Alvo principal: Flora, comandante do Exército Negro.

P.S. 1- Este conto de ficção científica é fraco, bem sei, mas foi muito divertido escrevê-lo.

P.S. 2 – Lendo um artigo de El País, 25.07.20, sobre Octavia E. Butler, escritora negra norte-americana de ficção científica, é que me veio a ideia. Ela, cansada de ficção científica ruim e de brancos, passou a escrevê-la tendo negros e negras como protagonistas. Claro que ela não tem nenhuma responsabilidade por este conto. Fiz o melhor que pude, ela que me perdoe. 

P.S. 3 – Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 

Léo

Danilo

Danilo é lixeiro. Negro esguio pelo balé diário em caminhão de coleta. A rua é seu palco. Sua família numerosa veio do norte com as promessas do sul. Promessas que não se cumpriram. Seus pais fizeram o caminho de volta em frustração. Danilo resolveu ficar.

Morava na favela e lá teve contato com o Movimento Luta Popular. Aprendeu que eles eram lixo em uma sociedade doente. Lixo. Descarte. A lição era se unir. Assim fizeram. Ocuparam uma grande área tratada até então como especulação imobiliária. Tiveram que enfrentar a polícia diversas vezes como um exército improvisado: capacetes de motos transformados em elmos, tampa de lixo em escudo, paus e pedras como armas de ataque. As batalhas foram muitas. Contaram com a solidariedade de outras ocupações, de trabalhadores, e discutiram com a cidade se seria justo um terreno ficar à merce de lucro futuro enquanto tantos não tinham onde morar. Ganharam. Transformaram a área abandonada em lar. Cavaram poço, limparam tudo, plantaram horta e pomar. Neste aprendizado do valor do coletivo e da força da organização surgiu outra beleza: as habilidades individuais. Pessoas até então apáticas ressurgiram como artistas, renovando roupas descartadas, reformando velhos sofás, cadeiras, mesas. Costuravam, bordavam, cozinhavam. Iam transformando o lixo, o descartável, em objetos úteis, em obra de arte. Construíram um lar solidário.

Danilo gostava das engrenagens. Via poesia nos motores. Desmontar e montar. Uma cafeteira que jogavam fora, liquidificador, aparelho de som…

Danilo, negro esguio, bailarino das ruas, trabalhador de serviço essencial e mal remunerado, lutador pela sobrevivência, acabou de consertar um rádio. Está tocando Sonho Impossível, letra de Chico Buarque e Ruy Guerra, na voz de Maria Bethânia: “E o mundo vai ver uma flor/ brotar do impossível chão”.

Léo

Balé

Dança a bailarina no ensaio
com receio do tropeço no palco

Dançam cortinas ao vento
E cores no horizonte ao entardecer

Dançam os enamorados na eterna ciranda
A querendo B que deseja C e Ômega só tem olhos para Alfa

Dançam os astros na imensidão do céu
A Terra no encalço do Sol e caçada pela Lua

Dançam as areias no deserto em turbilhão
desnorteando os camelos – que choram

Dançam os pés agitando o corpo
até que se esqueça do concreto

Dança o poema no papel

 

Eleva-se a bailarina no ensaio
desnorteando os camelos – que choram

O balançar das cortinas ao vento
até que se esqueça o concreto

Valsam os enamorados na eterna ciranda
com receio do tropeço no palco

Deslizam os astros na imensidão do céu
A querendo B que deseja C e Ômega só tem olhos para Alfa

Flutuam as areias no deserto em turbilhão
E cores no horizonte ao entardecer

Saltam os pés agitando o corpo
A Terra no encalço do Sol e caçada pela Lua

Dança o poema no papel

Léo

 

História social do Jazz

“O blues (…) não é todo o jazz, mas é o seu núcleo. (…). Como no mundo dos trabalhadores desorganizados e abatidos entre o qual esse maravilhoso idioma cresceu, o mundo do blues é trágico e impotente (…). E se permanece só” Eric J. Hobsbawm, História Social do Jazz.

Eric Hobsbawm, historiador e intelectual notável, se debruçou sobre a História Social do Jazz ( Editora Paz e Terra, RJ, 1990, tradução Angela Noronha). Sua pré-história, expansão, transformação, a música e seus instrumentos, a indústria, os músicos e seu público, discografia. Este verdadeiro raio x foi escrito em 1958. O autor é um apaixonado e como escreve bem, bonito.

“A história das artes não é uma única história, mas, em cada país, pelo menos duas: aquela das artes enquanto praticadas e usufruídas pela minoria rica, desocupada ou educada, e aquela das artes praticadas ou usufruídas pela massa de pessoas comuns” (p. 32). O jazz nasce no seio do povo pobre e foi suficientemente poderoso para entrar em território novo. De marginal é absorvido pela cultura oficial como uma forma de exotismo; se transforma; se divide entre os puros e os impuros da indústria; é arte popular, mito e sonho, e também protesto (p. 36). Um dos fenômenos mais notáveis do século XX.  

Luís Fernando Veríssimo, escritor e músico de jazz, escreve no prefácio que “a origem do jazz é bem mais sofisticada do que a plantação, é uma mistura em que formas musicais europeias têm quase tanta importância quanto a tradição africana, mas uma das suas raízes é o blues rural, cuja versão mais primitiva é o canto do escravo” (p. 9). O jazz nasce do povo pobre e negro num país racista. Bessie Smith, grande cantora de jazz, “morrendo porque lhe negaram socorro num hospital só para brancos” (p. 9). Tem origem no sul e se expande para o norte dos Estados Unidos e ganha o mundo. Hobsbawm diz que o termo jazz foi usado de forma genérica para a nova música de dança, do começo de 1900, “já que poucos sabiam que até então esse era o termo de gíria africana para relação sexual” (p. 71). 

A história dos músicos é uma das coisas que mais gostei. Bessie Smith tinha poder e feminilidade para hipnotizar o público, dominava o palco. “Não se lia jornais em nightclub onde ela se apresentasse. Ela só deixava você triste” (p. 110). Foi criada nas favelas, ficou só a vida toda, “uma grande artista trágica”, morreu em um acidente de carro. Duke Ellington criou uma das primeiras big bands, que “está, com relação às suas concorrentes, em uma posição análoga à de Shakespeare em relação ao resto dos dramaturgos (…). A sua preocupação foi mesclar as cores da orquestra e a expressão dos estados de espírito (…)” (p. 119-20). Louis Armstrong, “o maior jazzista de todos, em cuja arte a música de Nova Orleans alcança o auge e se ultrapassa (…) é a voz de seu povo falando por meio de um trompete” (p. 132). Charlie Parker, “o grande inquestionável gênio do jazz moderno”, “revolucionário da música”, “alma vulcânica”, e, como Armstrong, é originário do lumpemproletariado. Charles era “um nômade, um drogado, um infeliz, um andarilho sem raízes que morreu aos 35 anos, o Rimbaud do jazz moderno” (p. 137). Billie Holiday que “transformou o uso da voz humana associando-a ao microfone pessoal” (p. 20) e conseguiu “sucesso absoluto a partir de uma canção erudita, o poema de antilinchamento chamado Strange Fruit” (p. 111). E tantos outros, que se transformaram de trabalhadores simples, braçais, errantes, oprimidos, o “cego da esquina”, o negro “magrelo e descontraído que começou a dedilhar o violão (…). As suas roupas estavam em farrapos; seus pés saíam para fora dos sapatos…” (p. 215), em artistas da música. 

Com a indústria tomando conta do jazz veio a revolta. “Os músicos de jazz aprenderam a conviver com dois mundos diferentes: um no qual ganhavam a vida, e outro, após o horário normal de shows, no qual tocavam para agradar a si mesmos — o mundo das jam sessions“. Uma espécie de laboratório experimental, um sonho dos músicos que queriam ganhar a vida e tocar o que quisessem. Outros músicos apareciam, se reuniam, improvisavam. Como diz um músico citado na p. 94: “Aqueles eram tempos bastante difíceis e, no entanto, os caras ainda achavam tempo para estudar (…). As jam sessions eram a nossa diversão, a nossa válvula de escape”.

Se eu encontrasse o gênio da lâmpada, um dos meus pedidos seria passear por essas jam sessions… e ver uma apresentação de Billie Holiday. Porque “blues é blues, explicou ele. ‘É isso que é o blues, compreende?” (p. 71).

Para Bia, minha filha, que me resgatou este livro. 

Léo

Áspero

Desafio as horas
Duelando com a realidade
– quase inimiga –
E construo mundo próprio

Nele, a crueldade só fica por conta do sol,
que aparece dando cabo na bela criança.

Mas hoje envelheci.
O último elo se partiu – e envelheci.

eu e a realidade somos duas senhoras
que se cumprimentam gentilmente
Ela, não me traz o que quero
Eu, ela se cansou de mim.

Foi um esforço enorme, e perdi.
Sucumbo agitando versos

Quem sabe assim tudo se transforme pelo avesso

Léo

 

Madrugada

Desperto na madrugada recitando versos…

Restos da noite, vestígios do dia
Amantes em carícias tentando prolongar a noite
Olhos insones desejando o dia
Luzes artificiais brincando com a lua
O sol, liderando um exército de clarões,
no preparo da batalha vindoura
Crimes cometidos se aproveitando do quieto
Um carro veloz quebrando o silêncio…

O mar em seu eterno vai e vem
Rios em sua busca incessante
Pássaros, aqui e acolá, arriscando os primeiros cantos

Restos da noite, vestígios do dia

 Como Tales de Mileto, vejo deuses por toda parte.

Léo

Roberto

“Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas…”
Sinal Fechado, trecho, Paulinho da Viola.

Quando eu tinha uns quatorze anos conheci Roberto. Moreno cor de jambo, olhos de jabuticaba, “olhar noturno” (Alceu Valença), mãos bonitas, homem bonito, e uma boca que, hoje, beijaria. Ele, operário de uma fábrica de tratores, eu trabalhava de ajudante em perua escolar. Ele mais velho que eu, namorado de uma amiga minha. Meu amigo.

Meu pai era muito bravo, mas Roberto conquistou todos de casa. Conversávamos no portão, por horas a fio. Sobre o quê? O que uma garota de quatorze anos tem tanto pra falar? Não me lembro. Só sei que conversávamos muito. Sobre a vida. Com certeza sobre a vida.

Em 1977 fui cursar o colegial, hoje ensino médio. Roberto também voltou aos estudos. Assim todas as noites a gente se encontrava e conversava e estudava. Usávamos guarda-pó branco como uniforme numa escola pública. Tempos de ditadura militar. A professora de Física jurava que a gente se gostava. Ríamos. Só sei que, certa noite, Roberto me levou uma flor que tinha escondido no guarda-pó branco. 

Eu era amiga também da irmã de Roberto. Ela tinha olhos de dor. Fui até sua madrinha de casamento. A última vez que a vi foi num show da Gal Costa. Cantamos juntas bem alto “Meu nome é Gal…”.

Eu e Roberto nos afastamos. Eu queria participar de política, fazer movimento estudantil. Mudei de emprego, fui trabalhar como recepcionista numa clínica dentária de frente à Biblioteca Municipal. E passei a estudar de manhã. Comecei a participar de reuniões da União dos Estudantes Secundaristas, do Comitê pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita. Construímos uma turma na escola e fizemos um jornal, tiragem única, e amplamente distribuído. Tenho ele até hoje. Poemas, assuntos gerais, e eu escrevi sobre o congresso de reconstrução da UNE, união nacional dos estudantes. Tentei realizar a eleição da UNE dentro do colégio. Claro que o diretor vetou: a UNE era ilegal. Então a fizemos na rua, nas calçadas da escola.

Depois fui para faculdade; me mudei para São Paulo… Mas esta é outra história. Eu e Roberto nos perdemos “na poeira das ruas”.

“Muitos anos depois diante do pelotão de fuzilamento…”. Brincadeira. Este é o início de Cem Anos de Solidão, Gabriel Garcia Marques. Muitos anos depois nos reencontramos. Rápido. Roberto era casado, tinha filho pequeno e morava em outra cidade. 

Não deu tempo de dizer para ele o quanto foi importante para mim. Não tive tempo de explicar que as tantas horas de conversa me marcaram profundamente. Sem tempo de mostrar que ele está comigo até hoje.

Quem sabe me lê.

Léo