Poema para Duncan

manto vermelho
nasce Isadora, filha da deusa Ísis, dádiva de Ísis

no frio e fome da infância
sem brinquedos e brincadeiras,
mas ao som de Schubert e poetas,
dança no meio da floresta de frente ao mar

"as árvores dançam comigo"

nua, descalça
sapatos, prisão
roupas, correntes
dançando em harmonia
com o movimento do universo

"quem é você, com seus milhões,
para tentar capturar minha alma?"

rodeada de chamas e fúria,
dança no túmulo de uma América imperialista
de uma Europa carmomida
impossibilitadas de compreender
seu sonho libertário

ruma para uma Rússia rubra,
também menina em seus primeiros anos de revolução

"e quando digo viver, quero dizer dançar"

deseja os órfãos que tudo perderam
fundar uma escola que ensine a viver
- não para o palco -
para dançar livremente
crianças como "campo de papoulas vermelhas"
ondulando ao vento
abraçando o mundo
estendendo-se em direção do sol, da luz,
das estrelas

Isadora, filha de Ísis,
dançou a Marselhesa
contra a guerra
dançou a Internacional
para traçar o futuro

dançarina, teórica da dança,
leitora voraz da filosofia e poetas,
mulher livre, revolucionária,
lutadora, aventureira, dançarina

Isadora Duncan, filha de Ísis,
"dança ondas som ondas luz ondas"

(poema que escrevi a partir do livro Isadora, fragmentos autobiográficos, tradução Lya Luft, L&PM Editores, 1981).

Léo

4 comentários em “Poema para Duncan

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s