Caminhantes

Num ponto equidistante
do planeta azul
um observador atento
veria cena inusitada
num dia exato de uma hora exata

Mais de dois milhões de mortos ressurgindo
de sepulcros, covas, jazigos
como que regidos por maestro invisível
num estranho cortejo

Embora esses caminhantes
não portassem faixas, cartazes, bandeiras
não gritassem palavras de ordem
e seus olhos não mais brilhassem
e suas faces não mais corassem

Todos os vivos sabiam
Vinham cobrar a morte precoce

Cidades entorpecidas
Prédios retorcidos
Fantasmas percorrendo o ar
escurecendo o dia

Léo

5 comentários em “Caminhantes

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