Ian

Em plena primavera numa aldeia remota de plantadores de arroz, desce dos céus uma nave em formato de concha vertical.

Os aldeões apreensivos veem a concha se abrir e sair um ser parecido com humano. Suas proporções são de um deus grego, cor de pele dos mouros e os olhos orientais. 

Explica que tomou a forma de humano para não os assustar. Era uma façanha de seu povo: adquirir a forma que desejasse. Sua comunicação era por pensamento. Vagava pelo Universo sem moradia fixa. Aproveitava os chamados “caminhos de minhoca” e tinha tecnologia para atravessar um buraco negro.

A aldeia gostou dele. Deram-lhe o nome de Ian, deus gracioso. E, como velhos amigos ao redor da fogueira, os camponeses contavam os segredos do cultivo de arroz, mostravam a majestade das árvores e os belos cantos de pássaros. Ian estava encantado.

Encantado, contou que o tempo não era fragmentado no Universo. Assim viu o futuro da Terra. Os povos se uniram e a trataram com tanto carinho, com tanto zelo, que a Terra se transformou num ponto azul resplandescente. Farol.

Quando Ian se foi nem tristeza sentiram. Era de sua natureza ser viajante do tempo. Os camponeses sabiam que Ian sempre estaria com eles e eles sempre estariam com Ian.

Como no Universo em que o tempo não é fragmentado.

Léo

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