Firmina

“Vou te eleger/vou me despejar de prazer/
Esta noite o que mais quero é ser/
Mil e um pra você”
Jade, na voz de João Bosco.

 

Ela é robusta com uma cabeleira ruiva, cor de ferrugem, e cacheada. Mora numa fazenda perto de um vilarejo. Trabalha numa fábrica de farinha, transformando mandioca e trigo em fibras, farináceos e féculas.

Nas horas de folga farreia com amigos em volta de fogueiras. Dizem fofocas, futuros e bebem uma bebida fermentada que eles mesmos fazem. Sábado à noite, forró. Firmina adora dançar, sentir o corpo do parceiro e seu cheiro de suor. Aos domingos passeia por uma floresta próxima de onde mora. Caminha até uma frondosa e antiga figueira, no alto de um morro, e fica observando a paisagem. Fez uma cama de feno para contemplar o firmamento.

Firmina, com sua vasta cabeleira cobreada, era quase feliz. Sua ferida era não ter encontrado um bom par para cama. O comum era sexo ligeiro, sem graça; isto quando eles não fugiam apressados pressentindo que não dariam conta do seu fogo. Sim, seu corpo era uma fogueira. Sonhava com noites e noites ser cavalgada, descobrir cantos e cantos do corpo do outro. Fantasiava mil maneiras do gozo.

Assim passa seus dias entre fábrica, forró, fogueira, fantasia, e sua cama de feno ao relento.

Mas não escrevo este conto para deixar Firmina infeliz. Que me perdoem os céticos fanfarrões. Rumo a um final fogoso.

Foi numa tarde, quase final do expediente. Firmina percebe um homem avançando para o escritório da fábrica. Sentiu uma fisgada. Descobriu que ele iria abrir uma padaria e compraria farinha direto da fábrica.

Na saída, caminhou pelas ruas do vilarejo. Avistou um prédio em reforma com uma faixa anunciando a inauguração da padaria no próximo sábado.

No dia em questão, viu um homem atendendo a freguesia como um menino que distribuísse balões. Mãos fortes e gentis, daquelas que sabem como pegar. Quando foi atendida por ele, seus olhos denunciavam reconhecimento. Faceiro, pergunta o que se faz por ali num sábado à noite. Firmina demora em responder, se deliciando nestes segundos. Forró, responde como se fosse um ultimato. Aceito por ele num sorriso maroto.

Assim este sábado foi diferente. Só ele foi seu par. Seus corpos se encaixavam direitinho, seu cheiro lembrava uma boa fornada de pão… quentinho num final de tarde ou bem de manhãzinha.

Quando o forró terminou, quem disse que queriam se desgrudar.

Firmina o levou pelas mãos até sua cama de feno ao ar livre e tendo as estrelas como teto.

Ai, leitores e leitoras, deliciem-se! Imaginem as peripécias da paixão.

Só adianto que mil e uma noites não foram o bastante.

 

Léo

 

7 comentários em “Firmina

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