Sementes

Molas propulsoras de sonhos
Gigantes moinhos de vento
Sombras partidas ao avesso
Invisíveis cordões sustentando o medo.

Por que o inevitável não acontece?
Até quando os demônios guiarão nossos receios?
Para que tanta saudade do caduco?

Grilhões esfacelados
Sentir a doce brisa
da flor
que rompe do asfalto.

Léo

18 comentários em “Sementes

  1. Diante do medo, a única coisa que nos resta é parar de fugir. Só temos que fazer amizade com ele e enfrentá-lo para vencê-lo de dentro para fora. Adoro quando você reflete dentro de si.
    Foi um prazer ler você.
    Manuel

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    1. Meu poema clama contra o medo, o medo da transformação. Clama por deixar a zona de conforto e dar abrigo a flor “que rompe do asfalto”. Ainda bem que as ruas estão sendo tomadas novamente: sem justiça não há paz.

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      1. Estamos trancados há muito tempo e é lógico ter esse medo de retornar às ruas de uma maneira diferente. O que vamos fazer. Nós apenas temos que cuidar daqueles que não têm bom senso. Tome cuidado, querido Leo. Os meus cumprimentos.
        Manuel

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    1. Muito obrigada, meu amigo. Compartilhamos a mesma chama. E quero compartilhar contigo um trecho de um poema de Cecília Meireles, Miséria:
      “(Vejo a lágrima que escorre
      por cima da minha pena.
      Ai! a pergunta é sempre enorme,
      e a resposta, tão pequena…)”.
      Abraço poético.

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  2. Vamos lá Léo. Sou natural de Barbacena, interior de Minas. Cidade das Rosas e dos Loucos. (Tenho poemas no Blog sobre esta história (Cenas de Barbacena e Loucuras da Razão, por exemplo). Mas, vamos á Cecília. Quando eu era criança pequena em Barbacena, morava numa casa bem isolada, distante de outras casas, sem energia elétrica, etc. Uma das construções mais próximas era uma Clínica para tratamento mental (dependentes químicos, alcoólatras,esquizofrênicos… O nome da Clínica: Cecília ,Meirelles. Na escola eu estudava nada sobre ela, mas, o medo era grande. Ficávamos, eu e meus irmãos menores sozinhos com minha mãe sempre amedrontados, pois, vez ou outra, um dos internos fugiam e iam parar lá em casa… Escondíamos, todos dentro de casa e pelas frestas das janelas de madeira rezávamos para que fosse embora. Isto costumava demorar duas, três horas… Assim, se construiu minha história inicial com Cecília…. Só na faculdade tive coragem de ler poemas dela…. rsrsrsrsssrs

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    1. Quem diria que, ao compartilhar Cecília Meireles, iria saber de uma história… E que história: tem suspense, tem terror, e um bom final. Tua história é muito boa, Estevam. É um bom contador… E que louco uma clínica dessas ter nome da poeta… Poesia e loucura… loucura poética. Você circundado pelo medo na infância e hoje rodeado pela beleza… É, a vida é surpreendente!

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