Origens

“Equipado com seus cinco sentidos,
o homem explora o universo ao seu redor

e dá à aventura o nome de ciência”
Edwin P. Hubble, 1948.

 

A ciência vem sendo duramente atacada por governos autoritários, por fundamentalismo religioso, pela barbárie de um sistema que não dá conta das questões sociais. A pandemia é a expressão mais dura desse estado de coisas. E, ao mesmo tempo, é a prova cabal de que a ciência é nossa melhor arma. Com Origens é possível estas reflexões e mais. Pensar sobre os cientistas e as cientistas que se debruçam sobre o inexplicável. Que não se atêm ao senso comum, ao caminho fácil, aparências. É possível vislumbrar em quantos e quantos pesquisadores são necessários até a humanidade dar um salto e construir um Galileo, Albert Einstein, Marie Curie… Acumulação de conhecimento, pesquisa, paciência, experiência. Aprende-se a importância do erro, do tempo, do insight.

Escrito por Neil deGrasse Tyson, astrofísico, e Donald Goldsmith, astrônomo, Origens (Editora Planeta, SP, 2015, tradução de Rosaura Eichenberg) vem no rastro de Carl Sagan, democratizar a ciência. No prefácio, nos alertam: “Tem surgido e continua a florescer uma nova síntese do conhecimento científico. (…). Ao trabalhar sob o guarda-chuva de áreas emergentes que têm nomes como astroquímica, astrobiologia e astrofísica de partículas, os astrofísicos têm reconhecido que podem tirar grande proveito da infusão colaboradora de outras ciências” (p. 11). “A ciência depende de um ceticismo organizado, isto é, de uma dúvida contínua e metódica” (p. 14). Testar hipóteses, fazer observações, reunir dados, desafiar conclusões amplamente aceitas e não querer a segurança de verdades aparentemente eternas (p. 15).

Neste livro pode-se fazer um passeio cósmico. “Em nossas tentativas de revelar a história do cosmos, temos sempre descoberto que os segmentos mais profundamente envoltos em mistério são aqueles que lidam com as origens – do próprio universo, de suas estruturas mais massivas (galáxias e aglomerados de galáxias), e das estrelas que fornecem a maior parte da luz no cosmos”. (…). E de “um cosmos aparentemente sem forma produziu montagens complexas de diferentes tipos de objetos, mas também determinando como e por que, 14 bilhões de anos depois do big bang, estamos vivos sobre a Terra para perguntar: ‘Como é que tudo isso veio a acontecer?”‘ (p. 190).

Aprende-se que em 1610, Galileo Galilei apresentou o primeiro relato do céu visto através de um telescópio (p. 151). No universo há a matéria comum, de que todo o mundo é feito, a matéria escura, que só se sabe que existe pela gravidade, a energia escura, que induz uma aceleração da expansão cósmica(p. 60), e a antimatéria, um universo paralelo de anti-partículas (p.43). Em novembro de 1915, Einstein produziu sua teoria da relatividade geral, que descreve como o espaço e a matéria interagem: a matéria diz ao espaço como se curvar, e o espaço diz à matéria como se mover (p. 80). Fica-se sabendo que não existe nenhuma explicação para como os planetas começaram a se construir a partir de gás e poeira (p. 192). Que a vida tão procurada pelo cosmo, aqui mesmo neste ponto pálido azul, coexistem incontáveis formas de vida, algas, besouros, esponjas, serpentes, sequoias gigantes, nós. Eu, leiga, diria como uma das figuras de um cartum de Robert Crump: “em que mundo estranho e maravilhoso vivemos!”(p. 110).

E saber que  “no início do tempo, todo espaço, toda a matéria e toda energia do universo conhecido cabiam dentro da cabeça de um alfinete” (p. 22). E “o que temos descoberto os poetas sempre souberam:

Não deixaremos de explorar
E o fim de toda a nossa exploração
Será chegar aonde começamos
E conhecer o lugar pela primeira vez…
T.S.Eliot, 1942″ (p. 313).

Para Gra e Jonas.

Léo.

 

9 comentários em “Origens

  1. A maravilha do cosmos e da ciência. Descobrir o real, descobrir o que existe de fato, aquilo que para o movimento real é óbvio, mas para nós é mistério. Viva a ciência 😃😃
    Fico feliz que tenha dado frutos um singelo presente. Parabéns, adorei o texto.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim. Porém, não a ciência aprisionada pelo capital. E sim, a ciência como ferramenta de todos nós. Como a canção de Gilberto Gil, Queremos Saber, : “Queremos notícia mais séria/ sobre a descoberta da antimatéria/ e sua implicações/na emancipação do homem”…

      Curtido por 1 pessoa

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