Paterson

“— O Senhor também é poeta?
— Não. Sou só um motorista de ônibus.
— Um motorista de ônibus… Isso é muito poético” Paterson.

 

Escrito e dirigido por Jim Jarmusch (2017, USA), Paterson é o nome do filme, da cidade e do protagonista: um motorista de ônibus poeta, um poeta motorista de ônibus. Começa às seis e pouco da manhã de uma segunda-feira e nos transporta para uma semana qualquer do cotidiano de Paterson. No café da manhã olha atentamente uma caixa de fósforo, transformada em poesia no trajeto de casa até o trabalho.

Como motorista, nos conduz pela cidade, oferecendo-a: suas ruas, seus moradores. Atento aos passageiros e suas histórias, conversas banais de trabalhadores e seus sonhos; relatos de moradores famosos como boxeador Rubin Carter, conhecido como Hurricane; o italiano Gaetano Bresci, fundador de um jornal anarquista. 

De noite, num passeio com o cachorro, para sempre num bar, toma uma cerveja, vê a parede da fama – famosos da cidade que o dono vai apresentando e contando suas histórias. Bar recheado de figuras e aventuras. E outro dia chega.

Sua companheira é intensa – numa oposição harmoniosa – vai pintando cortinas da casa, tapetes, copos, num preto e branco e muitos círculos. Transforma vestidos, costura, toca violão, faz cupcakes… E o incentiva a mostrar os poemas do seu caderno secreto: “Eles deviam pertencer ao mundo”.

Paterson vê poemas escorrendo pela realidade. Ou transforma o real em poemas? Ou entrelaça vida e poesia? Poemas sobre caixa de fósforos; moléculas se deslocando; as três dimensões e o tempo como a quarta, e os que afirmam que são mais, seis, sete… e ele olha para o copo de cerveja e fica contente.  Assim também é o filme de Jarmusch: muitos gêmeos e gêmeas, espelhos, sombras, cenas poéticas. Numa harmonia que encanta.

Octavio Paz, Signos em Rotação, diz que “a poesia é revelação da condição humana e consagração de uma experiência histórica concreta” (Editora Perspectiva, São Paulo, 1972, p. 74).  E haverá um tempo em que “a poesia não mais encarnará na palavra e sim na vida”.

Paterson é um ótimo ensaio.   

“A água cai
A água cai do ar brilhante
Ela cai como fios de cabelos (…)
A maior parte das pessoas a chamam de chuva”
Uma personagem do filme.

Léo

10 comentários em “Paterson

  1. Eu não tinha ideia de que havia esse filme. O roteiro é muito atraente, além de ser um motorista de ônibus poeta. De acordo com o seu comentário, não há dúvida de que irei procurá-lo imediatamente para vê-lo. Obrigado Leo. É uma recomendação muito boa da sua parte.
    Um grande abraço meu amigo
    Manuel

    Curtido por 1 pessoa

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