O Silêncio do Mar

“O que eu gosto do mar… é seu silêncio. Não falo da ressaca, de suas ondas, mas sim do que está oculto. Do que percebemos. O mar é silencioso. E temos que saber escutar” O Silêncio do Mar, filme.

 

França, 1941. Vilarejo litorâneo ocupado pelos nazistas. Jeanne, professora de piano, mora com seu avô. O quarto de sua casa, antes ocupado pelos pais já mortos, é requisitado pelos alemães. Este é o palco de O Silêncio do Mar, filme dirigido por Pierre Boutron, de 2004.

Numa cena muito bem construída, Jeanne ao piano junto com seu avô na sala, a câmera se desloca para as botas do invasor saindo do carro. Passos lentos ao som de Bach, ele adentra a casa – uma França abreviada. Ele se apresenta: “Sinto muito. Minha presença é necessária. Se pudesse, evitaria”. Eles, invadidos, em silêncio. Resistência. O invasor é gentil. Contradição. “Graças a Deus parece decente”, comenta o avô em confissão para a neta. 

Num ambiente de saques alemães, atentados franceses, escassez de alimentos, perseguições, todas as noites, o capitão entra na sala e questiona a própria guerra. “Sempre gostei da França”. Ele conta sua história. É militar por tradição da família. Porém seu talento é para a música. É compositor. Lamenta as perdas tanto numa pátria como na outra. “Enquanto ele estiver aqui não tocarei”, diz Jeanne ao seu avô. Ele lembra a grandiosidade da literatura francesa e a da música alemã. Eles, em silêncio.

O amor, desconhecendo guerras e fronteiras, vai brotando entre os inimigos que se respeitam. Contudo não abandonam suas trincheiras. O amor resplandece além das barricadas. A atmosfera é do trágico. Olham-se. Compreendem-se. Amam-se. Conhecem o absurdo. Ele quase toca seu ombro. Ela vasculha seu quarto, sente seu cheiro em suas roupas, travesseiro, cama. Suas mãos quase se encontram. “Eu queria te dizer uma coisa…” ele diz para ela, interrompido pelo avô. A força dos olhares. A força do não dito. A força de lágrimas que correm livres num horizonte bélico.

“Não há mais esperança. O que devo fazer? A única resposta é ser leal”. O capitão sente a guerra. Eles a compreendem profundamente. O movimento de Resistência atua. Final surpreendente.

A guerra os une. A guerra os separa.

Léo

14 comentários em “O Silêncio do Mar

    1. Não foi de propósito. Não sabia desses tempos sombrios quando agendei este post. Talvez nos ajude a pensar em quantos tempos sombrios a humanidade já passou. Tomara que aprendemos duas lições desse nosso período: coletivo e mundial. E arrasemos com este sistema que põe o lucro acima da vida. Arrasemos coletivamente e mundialmente.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s