Índia

“Índia, teus cabelos nos ombros caídos/negros como a noite que não tem luar…” José Fortuna, versão.

 

Não, ela não tem nome.

Traz no ventre o duro golpe de 1500 e a destruição de um modo de vida. Traz a resistência de todos os povos da floresta que insistem em não morrer.

Dentro dela palpita a morte e a vida. A vida das estrelas tão distantes bailando em teus olhos.

Índia saudada por seu povo porque caça – respeitosamente – cada alimento alimentando a rota da sobrevivência. Ela é aquela que constrói seu arco e flecha da colheita das árvores e faz dele sua ferramenta.

Dança ao luar com sua tribo num círculo que os une, nutre, semeia, devolve, troca. Iluminados por pirilampos, cantam as canções ancestrais compondo uma trama entre passado, presente, futuro. O tempo sem tempo.

Índia descalça alcançando a terra. Mãos livres apalpando o ar. Corpo nu respirando todos os aromas da floresta. Sente a árvore, o arbusto, a grama ligeira, o chão batido. As borboletas esvoaçando ao seu redor bebendo sua seiva. Índia banhando-se nos rios e o boto todo enamorado… já foram amantes. Ela compreende pássaros. Voa com eles num balé cavalgando nuvens.

Índia de sorriso doce, de arma em punho. Guerreira. Amante. O amor flutua nos teus poros. Beija as crianças como mãe. Beija os homens como prazer. Beija as mulheres como parceiras.

Vagueia pelos sulcos da terra. Louva as montanhas, montes, trincheiras. Tudo é ócio. Tudo é trabalho. Tudo é arte. Tudo é guerra. Sobrevive como fada.

De tão bela e resplandescente é golpeada pelos que tratam a floresta como negócio. Índia não entende a mercantilização dos rios. Mas suas armas sempre em punho. Seu povo resiste. Montam armadilhas para os negociantes que já venderam seus corações – não viam utilidade neles. Suas almas pertencem ao breu. A escuridão são suas moradas.

Índia e seu povo dançam a dança da guerra. A dança do enfrentamento. Seus cânticos ecoam por toda floresta. Trovão, estrelas, relâmpagos, árvores, ramos, todos os bichos da terra.

Estamos sendo convocados!

Índia, lá vem o amanhecer…

Léo

5 comentários em “Índia

  1. Na Índia, eles acabaram com a civilização urbana, mas não conseguiram terminar com suas crenças e sua vontade de serem livres. Seus versos ainda tocam em meus ouvidos porque pude apreciá-lo de uma maneira especial: com minha alma em suspense. Saudações

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