O Morto (I)

Manoel de Barros 

de Poesias (1947)

 

A chuva lavou

As pessoas do morto

E lavou o morto

Com a sua fisionomia

De torto

E com seus pés de morto

Que arrastava um rio seco

E suas mãos de morto

Onde se dependurou

Insistente, um gesto oco.

À noite enterrou-se

O homem

Na raiz de um muro

Com sua roupa no corpo.

E a chuva regou no horto

Desse vitorioso

Homem morto

Enormes violetas

E uns caramujos férteis…

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2 comentários em “O Morto (I)

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