Persistência

Otto Winck

A minha voz

– folha seca, passarinho –

voando na voragem vã do vento,

quer repouso,

quer silêncio.

 

A minha voz quer ser pedra

(no meio de todos os caminhos),

quer ser bronze, raiz, altar, cimento,

mesmo sendo tolice,

mesmo sabendo que será pó do mesmo jeito.

 

É por isso que ela,

cansada no ar,

                  no vento

                   e no céu,

                  

                  cai

                   de

                   boca

                   e

                   sangra

 

– na superfície branca do papel.

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3 comentários em “Persistência

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