Mel

Era uma manhã serena de céu azul

As ruas estavam coalhadas de bandeiras rubras

A brisa soprava espantando o tédio

As feridas abriam-se em flor

 

Era o novo tempo rasgado das lutas e sacrifícios

O sobreviver ganhava novos contornos

Nossa alegria banhava o passado

Nossa certeza estancava o sombrio

 

O único decreto era o de ser livre

Transformar o só em solidário

Colher os frutos e devorá-los

Produzir o bem e consumi-lo

 

O mundo novo brilhava fruto de nossas mãos

– ainda ensanguentadas

A impossibilidade travada há anos a fio

Resplandecia ali na nossa frente

 

Cabia agora o futuro cantado em verso e prosa

Chegava a hora de o novo abrir-se em leque

Poesia e vida numa só

O grande salto salpicado de uma chuva fina

 

Todos os nossos mortos foram chamados

Um a um!

A beleza do eu de mãos entrelaçadas com o nós

Era chegada a hora!

 

Bendito é o fruto das lutas travadas

Enfim se fartar de mel!

Anúncios

3 comentários em “Mel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s