Luz!

“Aí quando é tempo de vagalume, esses são mil demais, sobre toda a parte: a gente mal chega, eles vão se esparramando de acender, na grama em redor é uma esteira de luz de fogo verde que tudo alastra (…)” (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa).

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Crédito: Yu Hashimoto. Blog b9.com.br: fotos mágicas de vagalumes no Japão.

A luz é uma onda eletromagnética visível ao olho humano (Criação Imperfeita, Marcelo Gleiser, Editora Record). A própria palavra parece iluminada. Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra é usada na física como uma “radiação eletromagnética capaz de provocar sensação visual num observador normal”. Mas também é claridade, luminosidade, como a luz do dia; está na vela, lampião, lâmpada; brilho, fulgor, cintilação, como a luz dos olhos; o que esclarece, ilumina ou guia o espírito: “o pai era a luz do menino”; percepção, juízo, inteligência, esclarecimento, elucidação: “da discussão nasce a luz”. Está na construção como vão livre. No teatro, iluminando uma cena. Pode ser antissolar, artificial, cinzenta, de marcha, difusa, dirigida, monocromática. Luz zodiacal. Luz natural.

Até o século XIX, alguns dos maiores cientistas acreditavam que a luz se propagava num meio misterioso que, “inspirado pelo nome dado por Aristóteles para a substância que preenche o vazio cósmico, foi chamado de éter” (Marcelo Gleiser, p. 78). Sua única função seria ser suporte material para a propagação das ondas de luz. “De fato, esse éter era muito estranho: para permitir a propagação de ondas ultrarrápidas, tinha que ser ao mesmo tempo milhões de vezes mais rígido do que o aço e um fluido sem peso ou fricção, de modo a não atrapalhar as órbitas planetárias; tinha, também, que ser perfeitamente transparente, para não ofuscar a luz das estrelas” (p 78).

Em 1905 Albert Einstein joga luz nesta cegueira coletiva, pois não havia nenhuma evidência que este elemento mágico existisse. “A aceitação generalizada do éter pelos físicos do século XIX ilustra que não é apenas na religião que o desejo de acreditar em algo impossível acaba por torná-lo plausível” (p.78). Einstein afirmou que a luz – diferente de outras ondas que “ondulam” em algo, como o som que precisa do ar para se proliferar – “não precisa de um meio material para se propagar: ela se propaga sozinha, mesmo no espaço vazio” (p. 77). 

Num piscar de olhos, a luz é capaz de dar sete voltas na Terra. Sua velocidade é finita, mas muito alta, cerca de 300.000 km por segundo. Está presente na famosa equação da teoria da relatividade de Einstein “e a lei que prevê que nada pode se deslocar com mais velocidade do que a própria luz” (Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking, Editora Rocco, p. 43). E a cor não existe, o que vemos é a luz. Segundo a BBC News/Brasil, de 26 de Maio de 2018, “se você pudesse viajar na velocidade da luz, experimentaria toda a história do Universo em um instante. Isso por que todas as leis de causa e efeito se quebrariam, e as noções de passado e de futuro não teriam mais sentido”.

Quisera ser um vagalume que tem luz própria: “Luz, quero luz” (Vida, Chico Buarque).

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Crédito: Asuka. Blog b9.com.br: fotos mágicas de vagalumes no Japão. 
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