Mel

Era uma manhã serena de céu azul

As ruas estavam coalhadas de bandeiras rubras

A brisa soprava espantando o tédio

As feridas abriam-se em flor

 

Era o novo tempo rasgado das lutas e sacrifícios

O sobreviver ganhava novos contornos

Nossa alegria banhava o passado

Nossa certeza estancava o sombrio

 

O único decreto era o de ser livre

Transformar o só em solidário

Colher os frutos e devorá-los

Produzir o bem e consumi-lo

 

O mundo novo brilhava fruto de nossas mãos

– ainda ensanguentadas

A impossibilidade travada há anos a fio

Resplandecia ali na nossa frente

 

Cabia agora o futuro cantado em verso e prosa

Chegava a hora de o novo abrir-se em leque

Poesia e vida numa só

O grande salto salpicado de uma chuva fina

 

Todos os nossos mortos foram chamados

Um a um!

A beleza do eu de mãos entrelaçadas com o nós

Era chegada a hora!

 

Bendito é o fruto das lutas travadas

Enfim se fartar de mel!

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Vida!

“A vida

– essa invenção magnífica da morte”.

Albano Martins

 

Meu pai está morrendo. Sinto-me como um vulcão de sentimentos múltiplos e variados. Como não sei o que fazer com isso, escrevo.

Há uma compreensão em mim. Tivemos tempo de ser amigos, confidentes; compartilhar. Tivemos tempo de ser “inimigos”, nos atacar. Tivemos tempo de fazer as pazes. Tivemos tempo de ser companheiros, cada um no seu caminho. E, setenta e quatro anos é um bom período na Terra, diante da conjuntura.

Há um sofrimento em mim. Por que meu pai não foi feliz? Por que um pobre soldado ficou tão cansado das batalhas? Por que a vida é tão injusta? Por que este pobre quando teve dinheiro já não tinha muito que fazer com ele? Por que tudo parece tão descompassado? Por que este sofrimento no seu final de vida? Por que tanta dor?

Mas, há um sofrimento maior em mim. Aquele que vê a vida tão frágil. Como tudo é tão frágil! Não é fácil enxergar a fragilidade, a linha tênue, os limites, a humanidade que poderia trilhar outro caminho e que ainda insiste no caminho do lucro, da exploração do homem pelo homem.

Há uma alegria em mim. A fortaleza da minha mãe, a sua compreensão. A solidariedade entre nós, família. Sinto que estamos juntos nesta batalha. Estamos juntos ao redor do patriarca que está morrendo. O patriarca que há muito tempo – parece – desistiu e se cansou. Ou percebeu o essencial da vida e o que realmente interessa são as pessoas que ama? Há muito tempo não canta mais. Não toca mais violão. Não faz mais poesia. Concentrou-se no essencial ou desistiu? Tenho a impressão que se sente fora do tempo, como se seu tempo não fosse este. Como o livro e filme “O Leopardo” – guardada as proporções – que fala de um nobre italiano que vê o ascenso da burguesia, que tem plena consciência de seu tempo de mudança, “mas que nada muda”.

Ao mesmo tempo sinto alegria de estar viva. Se tudo é tão frágil, viver cada minuto intensamente. Sou fruto do feijão e o sonho, a mãe e o pai. Tive chance de conhecer, de vivenciar as ferramentas que a mãe e o pai trouxeram para construir esta família. Tive oportunidade de ver florescer as bases sólidas que eles forjaram: a honestidade, o estar juntos, a solidariedade, o respeito às diferenças, o trabalho, e as coisas bobas também.

Humana que sou, espero um milagre ou o fim do sofrimento.

Em todo caso, é a vida.

 

Texto de Truman Capote sobre Marilyn Monroe, do livro Ensaios:

“Marilyn: Lembre-se, eu perguntei se alguém indagasse a você como eu sou, como é realmente Marilyn Monroe – bem, como você responderia, mesmo? (Seu tom era provocativo, debochado, mas franco, também: ela queria uma resposta honesta.) Aposto que diria que sou uma pateta. (…).

TC: É claro. Mas eu também diria…

(A luz se despedia. Ela parecia desaparecer com ela, misturar-se com o céu e as nuvens, recuar para além deles. Eu queria falar mais alto que os gritos das gaivotas e chamá-la de volta: Marilyn! Marilyn, por que tudo tinha de ser como foi? Por que a vida tem que ser tão miserável?)

TC: Eu diria…

Marilyn: Não consigo ouvi-lo.

TC: Eu diria que você é uma bela criança.”

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P.S. : Meu pai faleceu em dezembro de 2013.

 

Contar histórias é duelar com a morte!

“A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta” Fernando Pessoa.

Balzac, no conto O Elixir Da Longa Vida, nos lembra que “a morte é tão súbita em seus caprichos quanto uma cortesã em seus desdéns; é, porém, mais fiel, nunca enganou ninguém”. No entanto, Sherazade conta histórias “como resistência à morte” (Luzia de Maria, O Que É Conto, Editora Brasiliense, p. 7).

A história é conhecida. “Sherazade, a das Mil e Uma Noites, conquista o coração do rei valendo-se da arte de contar histórias” (Luzia de Maria).  O rei Shariar, desiludido com a traição de sua mulher, desposa uma virgem em cada noite, matando-a na manhã seguinte. Sherazade, ao ser escolhida, “decide não se render sem lutar pela vida”. Fascina “o rei com narrativas que desembocam umas nas outras, tal como cascas de cebola, sobrepostas, de modo que o rei, desejoso de ouvir a continuação”, adia a execução e se apaixona por ela.

Já Boccaccio, diante da peste que assola Florença em 1348, a abandona e “busca refúgio em outras paragens”. “Buscando vida e, como vida, distração (…)”, dez pessoas, numa belíssima propriedade um pouco distante, resolve “passar as tardes, confortavelmente reunidas no verde prado, tecendo narrativas oralmente”. Decameron, obra deste escritor italiano, se compõem dessas cem narrativas contadas pelas dez pessoas ao longo de dez dias, enquanto a morte rondava.

No entanto, “o narrador – por mais familiar que este nome nos soe – de modo algum conserva viva, dentro de nós, a plenitude de sua eficácia” nos lembra Walter Benjamin (“O Narrador” in: Textos Escolhidos, Editor: Victor Civita, 1983, p. 57). A arte de narrar é a troca de experiências, de alguém que faz uma viagem, “então tem alguma coisa para contar, diz a voz do povo e imagina o narrador como alguém que vem de longe”, ou daquele que, “vivendo honestamente do seu trabalho, ficou em casa e conhece as histórias e tradições de sua terra”. A narrativa “carrega consigo sua utilidade”: dar conselhos. Só que hoje em dia “dar conselhos” caiu em desuso e “a experiência caiu na cotação”. Conselhos não como respostas e sim como “uma proposta que diz respeito à continuidade de uma história (…). O conselho, entretecido na matéria viva vivida, é sabedoria”.

Este processo de declínio da narrativa “é o advento do romance no início da Era Moderna”. Enquanto o narrador colhe e narra experiência e a transforma novamente em experiência dos que ouvem sua história, o romancista segrega-se. “O local de nascimento do romance é o indivíduo na sua solidão, que já não consegue exprimir-se exemplarmente sobre seus interesses fundamentais, pois ele mesmo está desorientado e não sabe mais aconselhar”. O romance, que remonta à Antiguidade, floresce e tem seu domínio consolidado na burguesia. O capitalismo transforma a imprensa em seu instrumento de comunicação cuja forma é a informação. “Cada manhã nos informa sobre as novidades do universo. No entanto somos pobres em histórias notáveis. Isso ocorre porque não chega até nós nenhum fato que já não tenha sido impregnado de explicações”. Perdeu-se o dom de escutar; a comunidade dos que escutam desaparece; não há mais a “moral da história”, o conselho, a narrativa como um processo coletivo de troca de experiências. Restou o romance que busca o “sentido da vida”. Georg Lukács em Teoria do Romance (citado por Benjamin) esclarece que “só no romance separam-se sentido e vida, e com isso o essencial e o temporal”. O romancista escreve só e o leitor é solitário. E a morte perdeu sua onipresença e força plástica na consciência comum. “E no decorrer do século XIX a sociedade burguesa produziu, com ritos higiênicos e sociais, privados e públicos, um efeito secundário que talvez tenha sido seu objetivo principal, embora inconsciente: oferecer às pessoas a possibilidade de se furtarem à visão dos moribundos”. Os espaços ficaram purificados de morte e “os cidadãos hoje são habitantes enxutos de eternidade (…)”.

Porém, “a literatura, felizmente, continua existindo (…)” afirma Leyla Perrone-Moisés (“A Criação do Texto Literário in: Flores da Escrivaninha: Ensaios, São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 102). Se “o mundo em que vivemos, o mundo em que tropeçamos diariamente, não é satisfatório”, a literatura parte deste real, tenta dizê-lo, falha, “mas ao falhar diz outra coisa, desvendando um mundo mais real do que aquele que pretendia dizer”. Pela imaginação, nos compensa da insatisfação, harmoniza os dados do real, nos aponta o que falta, “no mundo e em nós”. “Na mônada do poema, o mundo fica momentaneamente cifrado, a captação do particular insinuando que uma plenitude do mundo é desejável e possível”. A obra literária demonstra que somos capazes de harmonia.

Se vivemos num mundo limpo da morte, se somos enxutos de eternidade, se “escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu” (Clarice Lispector, citada por Leyla Perrone-Moisés), se estamos solitários, perdidos, procurando um “sentido da vida”, que Sherazade nos ilumine, nos faça enfrentar a morte, que nos force a narrar, a ouvir, a dar e receber conselhos, a forçar uma harmonia, a resistir à morte. Contar histórias é duelar com a morte. A luta é em vão, sabemos. Mas, enquanto estamos aqui, por que não? “Que possa a morte me apanhar pensando, escrevendo, lendo” (Epicteto).

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No Passeio Público, uma flor insiste em brotar nas grades de ferro. Foto minha.

A Incrível História de Miguel Littín!

Yo pisaré las calles nuevamente, de lo que fue Santiago ensangrentada” Pablo Milanés.

Meu filho apresentou-me este livro anos atrás. Prepare-se para A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, de Gabriel Garcia Márques (Editora Record). Parece ficção esta realidade que o escritor Garcia Márques nos conta em dez capítulos. O truque da narrativa foi ouvir Miguel Littín em Madri por dezoito horas, mudar alguns nomes e circunstâncias para proteção dos protagonistas, e transformar uma reportagem em um texto literário. “Preferi conservar a narrativa na primeira pessoa, do jeito que Littín me contou, tratando de preservar dessa forma seu tom pessoal (…). O estilo do texto final é meu, é claro, pois a voz de um escritor não é intercambiável (…)” (p. 5).

Miguel era cineasta no Chile de Salvador Allende: “Doze anos antes, às sete da manhã, um sargento do exército à frente de uma patrulha tinha soltado sobre minha cabeça uma rajada de metralhadora, e mandou que eu me juntasse ao grupo de prisioneiros que iam sendo levados ao edifício da Chile Films, onde eu trabalhava” (p. 28-9). Assim figurava numa lista de cinco mil exilados que não podiam retornar de jeito nenhum à sua terra.

Na Europa, em conjunto com toda uma rede de clandestinos políticos, arma um plano mirabolante: filmar um documentário sobre a realidade chilena em plena ditadura de Pinochet. Em 1985 entra no Chile com três equipes de filmagens, uma italiana, uma francesa e outra com credenciais holandesas. “Nenhuma das equipes deveria saber da existência das outras duas. Nenhum dos integrantes teria conhecimento do que realmente estava sendo feito, nem saberia quem os estaria dirigindo nas sombras (…)” (p. 9). Seis semanas depois – e com ajuda de outras seis equipes juvenis da resistência interna – tinham “mais de sete mil metros de película sobre a realidade de seu país depois de doze anos de ditadura militar”. Incluindo filmagens dentro do Palácio de La Moneda. O resultado final foi um documentário de quatro horas para a televisão e outro para o cinema. No livro não constam seus títulos.

Tão bom quanto o truque da narrativa é o truque da realidade. Miguel Littín sofre o drama de se transformar em outro. Corta a barba de anos, tinge o cabelo, acentua a calvície, muda a sobrancelha, e o toque final foi o uso de óculos de grau. Esta despersonalização física foi acompanhada de “mudança de classe”: “Em vez das calças jeans que usava quase sempre, e de meus blusões de caçador, tinha que usar roupas de tecido inglês de grandes marcas europeias, sapatos de camurça, gravatas italianas de flores pintadas” (p. 11). A mudança foi tão significativa que nem ele próprio se reconheceu no espelho e nem sua mãe alguns dias depois. “A única coisa que devia evitar era rir, pois meu riso é tão característico que teria me delatado (…) ‘Se você der risada morre’” (p. 13).

Além de ser “uma gozação à prepotência de Pinochet” (p.8), este livro é recheado de peripécias dignas de um agente secreto. Senhas e contrassenhas, códigos, gravador em miniatura, passaporte falso, esposa falsa, nacionalidade falsa, taxistas e engraxates informantes da polícia, tensão e aventuras divertidas. E grandes figuras. Elena, a esposa de fachada, “tinha cumprido muitas missões políticas importantes em diversos países (…)” (p. 13).  Uma freira muito jovem e bonita, que por duas vezes, serve de contato. E Clemencia Isaura – nome fictício – que usava vestido caro, chapéu e luvas, e tomava chá das cinco em ponto com biscoitinhos, mesmo estando sozinha. Esta senhora de hábitos ingleses, com “uma boa marca de saltos em paraquedas”, fica feliz em ser procurada para um assunto clandestino: “– Para morrer numa cama com os rins podres – disse ela – prefiro que me picotem a tiros num combate de rua com os milicos” (p.121).

“Em todas as partes pão, arroz, maçãs, no Chile arame, arame, arame” Pablo Neruda.

Nestas páginas podemos ver um Chile muito bonito com sua cordilheira, “paisagem polar deslumbrante, com imensos precipícios de gelo e mares tormentosos” (p. 105). Um povo lutador que realizou grandes greves, manifestações, e que foi alento para todo o mundo com as falsas promessas de socialismo de Salvador Allende.

Doze anos de ditadura sangrenta de Augusto Pinochet apresentada no livro, nos dá a dimensão de, pelo menos, dois Chiles: “Na fachada do edifício havia um enorme letreiro azul: Chile avanza em orden y paz. Olhei o relógio: faltava menos de uma hora para o toque de recolher” (p. 17). Um Chile em estado de sítio, “de cortiços operários e quarteirões pobres, que sofreram uma repressão sangrenta durante o golpe militar” (p.22). O outro mostra uma Santiago “como uma cidade radiante, com seus veneráveis monumentos iluminados e muita ordem e limpeza nas ruas” (p. 22-3). “Na medida em que nos aproximávamos do centro da cidade, desisti de olhar e admirar o brilho material com que a ditadura tratava de apagar o rastro sangrento de mais de quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e um milhão de exilados” (p. 23).

A Junta Militar desnacionalizou tudo que Allende tinha nacionalizado, e vendeu o país ao capital privado e às corporações multinacionais. “O resultado foi uma explosão de artigos de luxo, deslumbrantes e inúteis, e de obras públicas ornamentais que fomentavam a ilusão de uma bonança espetacular” (p. 53). A dívida externa saltou de quatro bilhões para quase vinte e três bilhões. “O milagre militar fez muito mais ricos uns poucos ricos, e fez muito mais pobres o resto dos chilenos” (p. 53).

Na superfície, as pessoas tinham suas almas em rostos “sacudidos pelo vento gelado. Ninguém falava, ninguém olhava em nenhuma direção definida, ninguém gesticulava nem sorria, ninguém fazia o menor gesto que delatasse seu estado de espírito (…). Os poucos grupos que conversavam na esquina faziam isso em voz muito baixa para não serem escutados pelos tantos ouvidos dispersos da tirania (…)” (p. 23-4). Os que ficaram também eram exilados.

Mas nos subsolos, nos subterrâneos, Sebastián Acevedo, “um humilde mineiro do carvão, tinha tocado fogo no próprio corpo (…) depois de tentar sem resultado que alguém interviesse para que a Central Nacional de Informação (CNI) parasse de torturar seu filho (…) e sua filha, detidos por porte ilegal de armas” (p.59). Nas poblaciones, enormes bairros marginais, “cujos habitantes curtidos pela pobreza desenvolveram uma assombrosa cultura de labirinto”. A polícia e exército preferiam não se arriscar; teriam que “enfrentar formas de resistência originais e inspiradas, que escapam aos métodos convencionais da repressão” (p.69). Nos subsolos, a nova geração enfrenta com pedras na rua as tropas de choque, combatem com armas na clandestinidade, conspiram e fazem política. Nos subterrâneos, Allende e Neruda são mortos que nunca morrem.

A incrível história de Miguel Littín é a incrível história da resistência.

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Capa de Agenda da Editora Sundermann.

Noites Sem Sol!

“Não sei, realmente, porque estou triste.

Isso me enfara; e a vós também, dissestes.

Mas como começou essa tristeza,

de que modo a adquiri, como me veio,

onde nasceu, de que matéria é feita,

ainda estou por saber.

E de tal modo obtuso ela me deixa,

que mui dificilmente me conheço”.

O Mercador de Veneza, Shakespeare.

Luzes

acenda a lampada às seis horas da tarde 
acenda a luz dos lampiões 
inflame  
                a chama dos salões  
                fogos de línguas de dragões  
                vagalumes

numa nuvem de poeira de neon 
tudo é claro   
               tudo é claro   
               a noite assim que é bom

a luz acesa na janela lá de casa 
o fogo  
               o foco lá no beco      
                                            e o farol

esta noite vai ter sol

                                   Paulo Leminski

Almas Silenciosas

É um filme do russo Aleksei Fedorchenko de 2010. Contemplativo como um poema. Bela fotografia. É sobre a cultura Merja, antiga tribo do centro-oeste da Rússia que vivia às margens do Lago Nero. Uma cultura que agoniza. Almas silenciosas.

Quando uma mulher morre, o marido convida um amigo para os rituais fúnebres. Eles a limpam e a enfeitam com fios coloridos espalhados pelo corpo. Como a noiva, que são enfeitadas com estes fios presos nos pelos pubianos. Depois, fazem um armado de madeira, queimam o corpo e jogam as cinzas no rio. No trajeto funerário, o marido “esfumaça”: conta histórias da morta que não contaria quando viva. “Esfumaçar”. Contar segredos.

A água é sagrada para este povo. Morrer afogado é a melhor morte. Mas, eles não se afogam por querer: “é indelicado querer entrar nos céus antes dos outros”.

O narrador era filho de um poeta. Sua grande lição: “Quando a alma estiver doendo muito, escreva sobre o que vê ao redor”.

almas silenciosas