Não sei se você percebeu. Em filmes, quando a personagem fica muito tempo confinada, trancafiada; em liberdade, busca o simples. Dançar, comer a comida preferida, sentir o sol, o vento, a brisa, ver o mar, assistir quieta o cotidiano.
Estamos numa espécie de confinamento em uma sociedade de classes. O motor é o lucro e tudo transformado em mercadoria, inclusive nós. Enquanto saímos às ruas para reivindicar a salvação da nossa espécie, eles, os poderosos, ressuscitam guerras intermináveis. Eles têm outros planos: construir uma rota de fuga para Marte, Lua, Júpiter, e transformar o universo em sua imagem e semelhança. Eles, os poderosos, estão tentando nos dirigir para o matadouro feito gado, para o precipício.
Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, se declarou fracassado. Fracassou em tudo que tentou na vida: alfabetização das crianças, salvar os indígenas, projeto de uma universidade séria. Mas concluiu que nunca, nunca queria estar no lugar dos vencedores.
Quer saber? Darei um pulo até a praia e apreciarei o encontro da imensidão do mar e do céu. E vislumbrar um horizonte sem eles. Um horizonte de coisas simples, compartilhado por todos, e todas, e todes… e nós!
“Deixe tudo acontecer a você
Beleza e terror
Apenas continue
Nenhum sentimento é final” (Rilke)
Léo